Como as empresas devem publicar conteúdos nas redes sociais

José Dantas
CEO & Co-Founder da Weblucro
2 de novembro de 202612 min de leitura

Publicar todos os dias nas redes sociais não faz uma empresa vender mais. Publicar com critério faz. Vemos isto quase todas as semanas: negócios com página no Instagram, no Facebook e no LinkedIn, com alguém a postar com boa vontade, e que ao fim de seis meses não conseguem apontar um único cliente que tenha chegado por ali.
O problema raramente é falta de esforço. É falta de direção. Publica-se porque "tem de ser", copia-se o que o concorrente faz, mete-se uma frase motivacional numa imagem bonita e espera-se que alguma coisa aconteça.
Trabalhamos com marketing digital desde 2008, e neste artigo contamos como pensamos a publicação de conteúdos para empresas. Vamos pelas diretrizes que seguimos, pelos erros que mais encontramos e pelo que esses erros custam, na prática, a um negócio. No fim, se fizer sentido, explicamos como podemos ajudar.
Antes de publicar, decida para quê e para quem
Cada publicação tem de servir um objetivo, e esse objetivo tem de existir antes do conteúdo. Parece óbvio, mas é o passo que mais se salta. As redes sociais podem servir para ser encontrado, para ganhar confiança, para gerar pedidos de contacto, para fidelizar quem já é cliente ou até para recrutar. Tudo isto é legítimo. O que não resulta é tentar fazer tudo ao mesmo tempo, na mesma publicação.
Escolha um objetivo principal para os próximos três meses e deixe os outros em segundo plano. Uma clínica que quer encher a agenda precisa de conteúdo diferente de uma loja que quer escoar o stock de inverno.
Depois, pense em quem está do outro lado. Não em "homens e mulheres dos 25 aos 55", mas numa pessoa concreta. O que a preocupa antes de comprar? Que dúvidas tem sempre? Que objeções levanta? Que palavras usa para descrever o problema dela?
Um exercício que não custa nada: junte as dez perguntas que os clientes mais fazem ao telefone, no WhatsApp ou ao balcão. Cada uma delas é, no mínimo, uma publicação. E vai soar muito mais verdadeira do que qualquer texto inventado numa reunião.

Não precisa de estar em todo o lado
Estar em seis redes com conteúdo fraco é pior do que estar em duas com conteúdo bom. Escolha as redes onde o seu cliente realmente passa tempo e onde consegue manter qualidade de forma sustentada. Se tiver de escolher, comece por uma e acrescente outra só quando a primeira estiver a andar sozinha.
| Rede | Faz mais sentido para | O que costuma funcionar |
|---|---|---|
| Comércio, restauração, saúde, estética, serviços ao consumidor | Reels curtos, carrosséis que ensinam, bastidores, stories do dia a dia | |
| Negócios locais e públicos mais velhos | Publicações com prova social, eventos, grupos, anúncios com segmentação local | |
| Serviços entre empresas, consultoria, indústria, recrutamento | Opinião fundamentada, casos reais, textos com ensinamento, bastidores da equipa | |
| TikTok | Públicos jovens, produto visual, marcas com capacidade de produzir vídeo | Vídeo curto, informal, com ritmo e personalidade |
| YouTube | Serviços que precisam de explicação e decisões de compra mais pensadas | Vídeos que respondem a dúvidas concretas e continuam a ser encontrados meses depois |
A regra que usamos é simples: onde está o cliente e que formato consegue a empresa sustentar durante um ano. A melhor rede é a que se consegue manter com regularidade.
As diretrizes que seguimos
Não há fórmula mágica, mas há princípios que se repetem em quase todas as contas que funcionam bem.
Trabalhe com três ou quatro temas fixos
Em vez de decidir de manhã o que publicar, defina pilares de conteúdo. Por exemplo: conteúdo que ensina ou esclarece, conteúdo que mostra prova (casos, resultados, opiniões de clientes), conteúdo que mostra os bastidores e as pessoas, e conteúdo que vende de forma direta. Como ponto de partida, tentamos que a maior parte das publicações ajude ou ensine, e que só uma parte mais pequena peça diretamente a venda. Quem só vende cansa. Quem só ensina e nunca convida a avançar, não converte.
Fale como uma pessoa
O tom de voz deve ser o de alguém que conhece bem o assunto e está a explicá-lo a um cliente. Sem frases de manual, sem jargão que só a empresa percebe, sem aquele tom institucional de comunicado. Leia a legenda em voz alta. Se soar estranha dita assim, está mal escrita.
Ganhe a atenção logo no início
Num feed, as pessoas decidem em segundos se ficam ou passam à frente. A primeira linha do texto, a primeira imagem de um carrossel e o primeiro segundo de um vídeo têm de dar uma razão para ficar. Uma pergunta que o cliente já fez, um número concreto, um erro comum, uma afirmação que provoque curiosidade. Apresentar a empresa logo no início raramente funciona.
Uma publicação, uma ideia
Quando se tenta dizer cinco coisas num só post, o leitor não guarda nenhuma. Se há muito para explicar, divida em vários conteúdos ou use um carrossel. Cada publicação deve responder a uma única pergunta e terminar com uma única ação possível: guardar, comentar, enviar mensagem, ir ao site, marcar uma reunião.
Varie os formatos, sem perder a identidade
Carrosséis funcionam bem para ensinar e são guardados. Vídeos curtos dão mais alcance a quem ainda não conhece a empresa. Stories criam proximidade com quem já segue. Imagens simples com uma mensagem forte continuam a ter o seu lugar. O que mantém tudo coerente não é o formato, é a identidade: cores, tipo de letra, tom e forma de apresentar as coisas devem ser reconhecíveis à primeira vista.

Escolha uma frequência que consiga manter
Três publicações por semana durante um ano valem mais do que sete por semana durante um mês. As redes premeiam quem aparece com regularidade, e os clientes também: uma conta que desaparece três semanas passa a ideia de um negócio parado. Comece com um ritmo que a equipa aguente nos piores meses, não nos melhores.
Planeie, mas deixe espaço para o que acontece
Um calendário editorial mensal poupa muito tempo e evita o stress do "o que é que publicamos hoje?". Escreva e grave em blocos, programe as publicações e guarde alguns espaços livres para reagir ao que acontece na empresa, no setor ou nas notícias. O melhor conteúdo é muitas vezes o que ninguém planeou.
Converse, não faça só monólogo
As redes sociais são conversas. Responda aos comentários, de preferência com mais do que um "obrigado". Responda às mensagens privadas no próprio dia. Comente as publicações dos seus clientes, parceiros e de outras empresas da sua zona. Muitas vendas perdem-se numa mensagem direta que ficou três dias sem resposta.

Cuide do básico visual e técnico
Não precisa de produção de cinema. Precisa de boa luz, som limpo nos vídeos, texto legível no telemóvel e imagens com qualidade. Verifique também o perfil: nome, descrição, horário, contactos e ligação para o site ou WhatsApp. É frequente vermos contas com conteúdo excelente e um perfil que não diz o que a empresa faz.
Meça o que importa
Seguidores e gostos são fáceis de contar e difíceis de transformar em dinheiro. Olhe sobretudo para o que mostra interesse real: publicações guardadas e partilhadas, mensagens recebidas, cliques para o site, pedidos de orçamento, marcações. Faça uma revisão mensal, perceba o que resultou, repita o que funcionou e abandone o que não trouxe nada.

Respeite a lei e as pessoas
Tenha autorização para mostrar clientes e colaboradores em imagens e vídeos. Use música e imagens com licença. Identifique claramente a publicidade e as parcerias pagas. Trate com cuidado os dados pessoais que recebe por mensagem ou formulário. São detalhes que parecem menores até ao dia em que dão problemas.
Os erros que mais vemos
Nenhum destes erros é grave isoladamente. O problema é que, somados, explicam quase sempre porque é que uma conta não dá resultados.
1. Publicar sem estratégia
É o erro de origem. Sem objetivo, sem público definido e sem temas, cada publicação é uma decisão nova e o resultado é uma conta sem fio condutor. Quem chega ao perfil não percebe o que a empresa faz nem porque deve ficar.
2. Falar só da empresa
Novos produtos, promoções, prémios, a equipa a posar para a fotografia. O cliente quer saber como é que a empresa resolve o problema dele. Uma conta que só fala de si própria é um catálogo, e ninguém segue catálogos por vontade própria.
3. Desaparecer
Três posts numa semana, nada durante um mês, depois uma tentativa de recuperar com cinco publicações num dia. As redes e os clientes percebem a falta de consistência. Costuma acontecer quando a gestão das redes é feita "quando há tempo", ou seja, nunca.
4. Correr atrás de números que não pagam contas
Comprar seguidores, entrar em esquemas de troca de gostos, fazer sorteios que atraem quem só quer o prémio. A conta fica com muitos números e nenhum cliente. Pior, o alcance real cai, porque o público que se tem não interage.
5. Copiar o que outros fazem
Ver o que a concorrência publica é útil. Reproduzi-lo, ou usar imagens e textos de terceiros, não. Além do risco de direitos de autor, fica uma conta igual a todas as outras, sem razão para ser escolhida.
6. Textos genéricos que podiam ser de qualquer empresa
Frases feitas, imagens de banco que ninguém reconhece, legendas que se podiam aplicar a qualquer negócio. Hoje é fácil produzir conteúdo em grande quantidade. Por isso mesmo, o que se destaca é o que tem a experiência, a opinião e a cara de quem trabalha de facto naquela empresa.
7. Ignorar comentários e mensagens
Alguém pergunta o preço num comentário e fica sem resposta. Alguém envia mensagem a pedir informação e recebe resposta dois dias depois. Para quem pergunta, a empresa mostrou como será o atendimento. Muita gente nem volta a tentar.
8. Reagir mal às críticas
Apagar comentários negativos, responder com ironia ou discutir publicamente quase sempre piora a situação. Uma crítica bem respondida, com calma e com uma solução, costuma dar mais confiança a quem está a ver do que dez elogios.
9. Não ligar as redes ao resto do negócio
Publicações que não levam a lado nenhum: sem ligação no perfil, sem WhatsApp, sem formulário, sem forma de acompanhar de onde vêm os contactos. Depois pergunta-se se as redes valem a pena e ninguém consegue responder, porque nunca se mediu nada.
10. Deixar a conta com quem não conhece o negócio
Entregar as redes ao funcionário mais jovem, ou a alguém sem acompanhamento, porque "ele percebe disso", é frequente. Saber usar as redes não é o mesmo que saber vender o serviço da empresa. Sem orientação e sem briefing, o resultado raramente representa bem o negócio.
O que isto custa ao negócio
É tentador achar que umas redes sociais mal geridas são só uma oportunidade perdida. Na prática, têm custos concretos.
O primeiro é o dinheiro e o tempo gastos sem retorno. Horas de quem está na empresa, ou o valor pago a alguém, e anúncios que promovem publicações que ninguém pediu para ver. Quando não se mede nada, nunca se sabe o que realmente deu retorno.
O segundo é a imagem. Hoje, muita gente vai ao Instagram ou ao Facebook de uma empresa antes de ligar ou de visitar. Se encontra uma conta parada, com publicações antigas e informação desatualizada, tira a conclusão mais natural: o negócio pode estar fechado, ou não é de confiança. Esta perceção forma-se em dez segundos e raramente é corrigida.
O terceiro é o alcance. As plataformas mostram mais a quem publica com regularidade e gera interação. Uma conta inconsistente, sem conversa, vai perdendo visibilidade e cada nova publicação chega a menos gente do que a anterior.
O quarto é a venda perdida. Quem pergunta e não é respondido compra a outro. É das perdas mais silenciosas, porque ninguém vê o cliente que desistiu.
O quinto é o risco. Uma crítica mal gerida pode crescer muito depressa. Uma imagem ou música usada sem licença pode dar origem a um pedido de remoção ou a uma reclamação. Dados pessoais tratados sem cuidado podem trazer problemas com a proteção de dados.
E há ainda um custo interno que se vê pouco: a frustração de quem faz as publicações e não vê resultados, e a dúvida da gestão sobre se as redes valem a pena. Muitas empresas acabam por abandonar as redes sociais, não porque não funcionem, mas porque nunca as fizeram funcionar de forma estruturada.
Como começar esta semana
Se sente que a sua empresa está em algum destes erros, não precisa de recomeçar do zero. Pode começar por aqui:
- Escreva o objetivo principal das redes para os próximos três meses numa única frase.
- Descreva o cliente ideal e anote as dez perguntas que ele mais faz.
- Escolha uma ou duas redes e confirme que o perfil está completo, com contactos, horário e ligação para o site ou WhatsApp.
- Defina três ou quatro temas fixos e transforme cada pergunta do ponto 2 numa publicação.
- Monte um calendário para quatro semanas, com uma frequência que consiga cumprir.
- Reserve meia hora por dia para responder a comentários e mensagens.
- No fim do mês, veja o que gerou conversas e contactos, e ajuste.
Quer ajuda com as redes sociais da sua empresa?
Tudo isto dá trabalho, e o trabalho só rende quando é feito com constância. É por isso que muitas empresas preferem entregar esta parte a quem a faz todos os dias.
Na Weblucro, nós fazemos a gestão de redes sociais de empresas. Definimos a estratégia com base no seu negócio e no seu cliente, criamos os conteúdos, publicamos, respondemos à comunidade e acompanhamos os resultados, para que as redes deixem de ser uma obrigação e passem a trazer contactos e vendas.
Se quer perceber o que faria sentido para o seu caso, fale connosco e peça o seu diagnóstico gratuito. Vemos o que já tem, dizemos-lhe com franqueza o que está a funcionar e o que não está, e explicamos como podemos ajudar.

Sobre o autor
José Dantas
CEO & Co-Founder da Weblucro
A Weblucro é uma agência de marketing digital: tratamos do marketing da sua empresa de ponta a ponta, dos anúncios ao site e às redes sociais. A nossa equipa trabalha nesta área desde 2008.
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