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Digital 2027 Portugal: o que os números significam para o seu negócio

José Dantas

CEO & Co-Founder da Weblucro

8 de novembro de 202614 min de leitura

Empresário a analisar gráficos num portátil enquanto segura o telemóvel, numa sala luminosa com vista para os telhados de Lisboa

Portugal terminou 2026 com 9,35 milhões de pessoas a usar a internet, o que corresponde a 90% da população, e com 8,06 milhões de identidades ativas nas redes sociais (uma identidade é uma conta de utilizador, e a mesma pessoa pode ter várias), segundo o relatório Digital 2027: Portugal, publicado em novembro de 2026 pela DataReportal, uma plataforma que reúne todos os anos os números do uso da internet e das redes sociais em cada país. Quem tem um negócio e ainda se pergunta se vale a pena investir na presença online encontra aqui uma resposta difícil de contornar, porque os clientes já estão na internet em praticamente todas as idades e esperam encontrar as empresas no mesmo sítio onde procuram tudo o resto.

Este artigo não se limita a repetir estatísticas. Na Weblucro, uma consultoria de marketing para empresas que acompanha negócios de vários setores desde 2008, lemos o relatório com a pergunta que os donos de empresas mais nos fazem: onde é que faz sentido investir o dinheiro de marketing no próximo ano para aumentar as vendas da empresa? Ao longo das secções seguintes mostramos o que os números dizem sobre o acesso à internet, sobre o comportamento nas redes sociais e sobre o peso de cada plataforma, e no fim traduzimos tudo isso em decisões práticas.

Uma nota sobre a leitura dos dados antes de avançarmos. Os valores referem-se, na sua maioria, a outubro de 2026, e a própria DataReportal avisa que várias plataformas revêem com frequência a forma como contam as suas audiências, pelo que algumas descidas aparentes não significam necessariamente que as pessoas deixaram de usar essas redes. Sempre que isso for relevante, assinalamos a ressalva ao longo do texto.

Utilizadores de internet em Portugal: 9,35 milhões e 90% da população

O ponto de partida é um país com 10,4 milhões de habitantes, dos quais 71,3% vivem em zonas urbanas e cuja idade mediana (a idade que divide a população ao meio, com metade das pessoas abaixo e metade acima) ronda os 47 anos, com mais de um quarto da população (25,4%) acima dos 65. Dentro deste universo, 9,35 milhões de pessoas usavam a internet em outubro de 2026, o que deixa cerca de 1 milhão fora do mundo online. A DataReportal registou uma descida de 0,2% face ao ano anterior, cerca de 15 mil pessoas, uma variação tão pequena que, na prática, significa que o número de pessoas online ficou estável.

Isto quer dizer que o mercado português já atingiu um nível de maturidade em que o aumento do número de pessoas online deixou de ser o que decide o jogo. Quando nove em cada dez pessoas estão na internet, o que separa um negócio que cresce de outro que estagna é a capacidade de ser encontrado, de transmitir confiança em poucos segundos e de acompanhar o cliente desde a primeira pesquisa até ao contacto comercial. Para as empresas que ainda dependem sobretudo do boca a boca, a mensagem é clara: é natural que muitas pessoas, mesmo depois de ouvirem falar da sua empresa por um conhecido, procurem o nome dela na internet para confirmar e comparar alternativas antes de ligarem ou de visitarem o espaço.

Mulher a pesquisar no telemóvel, ao fim do dia, sentada num sofá em casa

O telemóvel, de resto, domina a relação dos portugueses com a rede. Existiam 16,9 milhões de ligações móveis ativas no final de 2026, o equivalente a 162% da população (há mais ligações do que habitantes, porque muitas pessoas têm mais do que um cartão ou equipamento), e 99,4% dessas ligações são de banda larga móvel (3G, 4G ou 5G), ou seja, ligações capazes de abrir sites e vídeos sem dificuldade. A velocidade mediana da ligação fixa chegou aos 251,75 Mbps, mais 14,5% do que um ano antes, e a da rede móvel situa-se nos 128,47 Mbps, um pouco abaixo da do ano anterior (menos 4,8%). Mbps quer dizer megabits por segundo, e quanto maior o número, mais depressa abre uma página ou um vídeo.

Com ligações destas, ninguém aceita esperar por um site lento, por um formulário difícil de preencher num ecrã pequeno ou por um vídeo que não arranca. É por isso que a rapidez e a facilidade de uso do site no telemóvel pesam tanto na posição em que a empresa aparece no Google, o que se costuma chamar SEO (do inglês Search Engine Optimization, o conjunto de cuidados que ajudam um site a surgir nos primeiros resultados de uma pesquisa), e também na decisão de quem está a escolher a quem comprar.

Redes sociais em Portugal: 8,06 milhões de utilizadores e 77,6% da população

Se o acesso à internet está praticamente estabilizado, as redes sociais continuam a crescer. A DataReportal contabilizou 8,06 milhões de identidades ativas em outubro de 2026, mais 470 mil (6,2%) do que um ano antes, o que equivale a 77,6% de toda a população e a 86,2% das pessoas que usam a internet. Olhando apenas para os adultos, foram 7,31 milhões de identidades com 18 anos ou mais, ou seja, 83,3% da população adulta, com uma distribuição muito equilibrada entre mulheres (51,8%) e homens (48,2%).

Convém ler estes números com algum rigor, porque o próprio relatório sublinha que uma identidade não corresponde necessariamente a uma pessoa única, uma vez que o mesmo utilizador pode ter várias contas. Ainda assim, a ideia geral é clara e leva a uma conclusão simples para qualquer negócio: se os clientes da sua empresa usam a internet, é muito provável que estejam também numa ou mais redes sociais, qualquer que seja o setor, a idade ou o género. O que muda de empresa para empresa é a rede onde esse público está mais disponível para ouvir uma proposta, e é precisamente aí que o relatório se torna mais útil, como veremos já a seguir.

Redes sociais mais usadas em Portugal segundo o Digital 2027

O relatório apresenta duas leituras complementares das plataformas. A primeira vem de um inquérito (perguntas feitas a uma amostra de pessoas) da GWI, uma empresa de estudos de mercado, realizado no segundo trimestre de 2026, e indica a percentagem de internautas com 16 ou mais anos que usaram cada rede pelo menos uma vez no último mês. A segunda resulta das ferramentas de anúncios de cada plataforma e mostra a audiência publicitária, isto é, o número de pessoas que uma empresa consegue alcançar com anúncios pagos nessa rede. A tabela seguinte junta as duas perspetivas para as redes mais relevantes para quem faz marketing.

Plataforma Uso mensal entre internautas 16+ (inquérito GWI) Pessoas alcançáveis com anúncios em Portugal Variação num ano
WhatsApp 91,3% não divulgado não divulgado
Instagram 81,3% 6,10 milhões -3,9% (ver nota)
Facebook 79,3% 6,35 milhões +0,8%
YouTube 52,3% 8,06 milhões +6,2%
TikTok 49,9% 4,47 milhões (só 18+) +8,8%
Pinterest 39,3% 2,82 milhões +4,1%
LinkedIn 33,3% 6,80 milhões de membros +11,5%
X 25,3% 1,13 milhões -35,1% (ver nota)

A variação refere-se a cerca de doze meses até ao final de 2026. A DataReportal alerta que as quebras de alcance publicitário não significam necessariamente que as pessoas usam menos a rede, porque os números das próprias plataformas são revistos com frequência. No caso do Instagram, por exemplo, o inquérito mostra que 81,3% dos internautas continuam a usá-lo todos os meses, o que torna pouco provável que a rede esteja a perder terreno de forma relevante.

O primeiro dado que salta à vista é o peso do WhatsApp, usado por 91,3% dos internautas portugueses, bem acima de qualquer outra aplicação. Isto reforça a ideia de que o contacto com o cliente deve ser pensado como uma conversa e não apenas como uma publicação, e de que um botão de WhatsApp bem colocado no site, nos anúncios e nos perfis das redes costuma ser o caminho mais curto entre o interesse e o pedido de orçamento. Logo a seguir surgem o Instagram e o Facebook, ambos com cerca de oito em cada dez internautas, o que desmente a ideia, ainda comum, de que o Facebook é uma rede em fim de vida: continua a ser uma das plataformas com maior alcance, sobretudo junto de públicos adultos, onde chega a 72,4% das pessoas com 18 ou mais anos.

O YouTube tem a maior audiência publicitária de todas, com 8,06 milhões de pessoas alcançáveis, e continua a crescer. Para quem produz conteúdo em vídeo, seja para explicar um serviço, mostrar um caso real ou responder a dúvidas frequentes, trata-se de um canal que serve ao mesmo tempo a descoberta, a confiança e a pesquisa, já que os vídeos também aparecem nos resultados do Google.

TikTok, LinkedIn e Pinterest: públicos diferentes, oportunidades diferentes

Além das redes de grande alcance, o relatório mostra que as plataformas mais pequenas ou mais específicas têm perfis de público muito marcados, e é aí que muitas empresas encontram vantagem, porque há menos concorrência pela atenção das pessoas e a mensagem pode ser mais dirigida.

O TikTok chega a 4,47 milhões de adultos em Portugal, cerca de metade (50,9%) da população com mais de 18 anos, e foi uma das redes que mais cresceu, com mais 8,8% de audiência publicitária ao longo do ano. Chama a atenção o facto de 70,2% desta audiência ser feminina, um dado que ajuda a decidir se vale a pena apostar na rede conforme o tipo de negócio, seja uma clínica de estética, um salão, uma loja de moda ou uma marca de produtos para a casa, onde o público feminino costuma ter um papel decisivo na compra.

O LinkedIn regista 6,80 milhões de membros em Portugal, o equivalente a 77,5% dos adultos, e cresceu 11,5% num ano. Há uma ressalva que a DataReportal faz e que deve ser levada a sério: este número conta membros registados e não utilizadores ativos, pelo que não se compara diretamente com as restantes redes. Mesmo assim, para as empresas que vendem a outras empresas (o chamado B2B, de business to business), a dimensão da base e o facto de 52,3% da audiência ser masculina fazem do LinkedIn um canal natural para chegar a potenciais clientes, desde que haja conteúdo consistente e uma abordagem próxima, e não apenas mensagens de venda.

Já o Pinterest alcança 2,82 milhões de pessoas, com uma audiência 70,1% feminina e um crescimento de 4,1%, o que o torna uma montra interessante para negócios ligados à decoração, à gastronomia, aos casamentos, à moda e a qualquer área em que a inspiração visual antecede a decisão de compra. Por fim, vale a pena acompanhar de perto o Threads, que conta com 884 mil utilizadores em Portugal, e de longe o X, cuja audiência publicitária caiu 35,1% num contexto em que a própria DataReportal aconselha prudência na leitura dos valores.

Como aplicar estes dados no marketing da sua empresa

Os números só valem alguma coisa quando se transformam em decisões, e a experiência que acumulamos com clientes de vários setores diz-nos que as empresas vendem mais quando fazem poucas coisas bem feitas do que quando tentam estar em todo o lado ao mesmo tempo. Estas são as conclusões que, na nossa opinião, mais devem pesar no planeamento de 2027. Se sente que a empresa já faz muita coisa e que as vendas não acompanham, vale a pena começar por perceber onde está o bloqueio ao crescimento da sua empresa.

Comece pelo site, porque é ele que sustenta tudo o resto

Com 90% da população online e ligações móveis e fixas cada vez mais rápidas, o site tornou-se o ponto onde convergem as pesquisas no Google, os cliques nos anúncios e as ligações das redes sociais. Se carrega devagar, se não está pensado para o telemóvel ou se não explica com clareza o que a empresa faz e como contactá-la, o investimento feito nos restantes canais perde-se logo no primeiro clique. Cuidar do SEO, com páginas de serviço bem organizadas, textos que respondem às dúvidas reais dos clientes e uma presença cuidada no Google, costuma compensar a médio prazo, porque trabalha todos os dias sem custo por cada clique.

Portátil e telemóvel lado a lado, a mostrar a página inicial do site de uma empresa

Escolha duas ou três redes em vez de tentar estar em todas

O relatório mostra que a audiência está distribuída por muitas plataformas, mas também que cada uma tem um perfil próprio de idade, género e intenção. Um negócio local de serviços para o grande público tende a beneficiar do Instagram e do Facebook, uma marca que vende sobretudo a mulheres pode encontrar no TikTok e no Pinterest um espaço com menos ruído, e uma empresa que vende a outras empresas deve dar prioridade ao LinkedIn. O critério mais seguro é olhar para o cliente ideal, perceber onde ele passa tempo e só depois decidir onde produzir conteúdo com regularidade, algo que explicamos com mais detalhe em como as empresas devem publicar conteúdos nas redes sociais.

Trate o WhatsApp como um canal de vendas

Se 91,3% dos internautas usam o WhatsApp todos os meses, é lógico que seja também onde muitos clientes preferem pedir informações, marcar serviços ou pedir orçamentos. Pôr o contacto direto no site, nos perfis e nos anúncios, com respostas rápidas e mensagens organizadas, reduz a dificuldade entre o interesse e a conversa comercial. Convém, no entanto, garantir que alguém responde depressa, porque demorar a responder a um potencial cliente é uma das formas mais comuns de perder vendas que já estavam quase fechadas.

Dona de uma loja de roupa a responder a uma mensagem de um cliente no telemóvel, ao balcão

Use publicidade paga para chegar ao público certo

A dimensão das audiências publicitárias, com mais de 6 milhões de pessoas alcançáveis no Facebook e no Instagram, 6,8 milhões de membros no LinkedIn e mais de 8 milhões no YouTube, abre espaço para campanhas dirigidas a quem interessa, escolhendo a localização, a idade, o género e os interesses das pessoas, mesmo com orçamentos moderados. O segredo está em pensar o anúncio como parte de um percurso completo, que começa numa mensagem relevante, passa por uma página preparada para levar a pessoa a pedir contacto e termina num acompanhamento dos contactos recebidos, porque é esse conjunto, e não o anúncio isolado, que determina o custo real de cada novo cliente. Falamos disso com mais pormenor em a importância dos anúncios online na captação de novos clientes.

Invista em vídeo e em conteúdo que mostra a empresa por dentro

O crescimento do YouTube e do TikTok confirma o que observamos no dia a dia: as pessoas confiam mais em empresas que se mostram, explicam o que fazem e deixam falar quem já é cliente. Não é preciso uma produção sofisticada para começar, basta regularidade, clareza e um plano simples dos temas a abordar, pensado para responder às perguntas que os clientes fazem antes de comprar.

Conclusão: o digital já é o ponto de partida dos seus clientes

O relatório Digital 2027 para Portugal confirma que a questão já não é se as empresas devem estar presentes online, mas com que qualidade e com que estratégia o fazem. Com 9,35 milhões de pessoas na internet, 8,06 milhões de identidades nas redes sociais e plataformas como o WhatsApp, o Instagram, o Facebook e o YouTube a fazerem parte da rotina de grande parte da população, o cliente de hoje pesquisa, compara e decide muito antes de falar com alguém da empresa, e quem não aparece nesse percurso fica fora da conversa.

Se quer perceber como estes dados se aplicam ao seu caso e o que fazer para aumentar as vendas da sua empresa, a Weblucro é uma consultoria de marketing para empresas e pode ajudar. Começamos por perceber o seu negócio, vemos onde estão os clientes que quer atingir e propomos um caminho realista, ajustado ao seu orçamento e aos seus objetivos, seguindo o nosso método de trabalho. Quem quiser saber mais sobre o que um acompanhamento deste tipo inclui pode ler marketing digital para empresas: o que inclui e quando contratar e, para começar com números reais, pedir o diagnóstico gratuito.

Fonte dos dados: DataReportal, Digital 2027: Portugal, por Simon Kemp, 5 de novembro de 2026.

José Dantas

Sobre o autor

José Dantas

CEO & Co-Founder da Weblucro

A Weblucro é uma agência de marketing digital: tratamos do marketing da sua empresa de ponta a ponta, dos anúncios ao site e às redes sociais. A nossa equipa trabalha nesta área desde 2008.

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